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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Catarina...



Para Ti

Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo

Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre

Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida.

Mia Couto



5 comentários:

  1. tão similar ao do eugénio, diria quase um plágio de mia couto.

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  2. Jo, o álbum ou o poema!?!

    O Ramalhete, concordo é a beleza da simplicidade que nos remete para o Eugénio. Um abraço*

    Rainha, tu és uma romântica!!!

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  3. também me lembrou a estrutura, num poema que não sei se conhece: Foi para ti que criei as rosas.
    Foi para ti que lhes dei perfume.
    Para ti rasguei ribeiros
    e dei ás romãs a cor do lume.

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  4. Eugénio, sempre.

    "Hoje roubei todas as rosas dos jardins e cheguei ao pé de ti de mãos vazias."

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